sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Filis e Amor - Bocage

Num denso bosque
pouco trilhado,
e a termos crimes
Acomodado,

Por entre a rama
Fresca e sombria
do tenro arbusto
Que me encobria,

Vi sem aljava
Jazer Cupido
junto a Filis,
À mãe fugido.

A mais brilhante
dele afastando
Dizia a Filis
com riso brando:

" Mimosa Ninfa
Glória de amor,
De-me um beijinho,
por esta flor?"

"Sou criancinha,
não tenhas pejo",
Sorriu-se Filis,
Dando-lhe um beijo.

Mas o travesso
logo outro pede
À simples ninfa
que lhe concede.

Que por matar-lhe
Doces desejos,
A cada instante
Repete os beijos.

Assim brincavam
Filis e Amor,
Eis que o menino
Sempre traidor

Com a pequenina
Boca risonha
Lhe comunica
Sua Peçonha.

Descora Filis,
e de repente
Solta um suspiro
D'Alma inocente.

Mal que o gemido
Férvido soa
O mau Cupido
com ela voa.

Ninguém, ó Ninfa
(Diz a voar)
Brinca comigo
sem suspirar.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Transforma-se o Amador na Cousa Amada - Luiz Vaz de Camões

Transforma-se o amador na coisa amada
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semidéia,
Que,como o acidente em seu sujeito,
Assim como a alma minha se conforma,

Está no pensamento como idéia;
O vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.

sábado, 3 de setembro de 2011

Cruz e Souza - Caçador do Infinito

Com a lâmpada do Sonho desce aflito
e sobe aos mundos mais imponderáveis,
vai abafando as queixas implacáveis,
da alma o profundo e soluçado grito.

Ânsias, Desejos, tudo a fogo escrito
sente, em redor, nos astros inefáveis.
Cava nas fundas eras insondáveis
o cavador do trágico Infinito.

E quanto mais pelo Infinito cava
mais o Infinito se transforma em lava
e o cavador se perde nas distâncias...

Alto levanta a lâmpada do Sonho,
e com seu vulto pálido e tristonho
cava os abismos das eternas ânsias!


Esta grande poesia foi postada graças a indicação de Simone Benítez... MUITO OBRIGADO.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Amor - Fernando Pessoa

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..

Gostaria De...

Só queria que você ouvisse o que penso quando estou prestes a dormir, pois só assim saberia os planos que sempre faço pra nós dois quando estou sozinho, ou que você assistisse os meus sonhos, pois assim saberia o quanto realmente a desejo, e como nem dormindo eu consigo te esquecer. Queria que você escutasse o que penso, que pudesse ler o meu olhar, pois assim saberia o que imagino quando fico te olho daquele jeito bobo sem motivo. Queria que pensasse em mim o mesmo número de vezes que penso em você, assim perceberia que você nunca sai da minha mente, e que lembrasse de todos os nossos momentos juntos, que contasse quantas vezes meu viu sorri sem motivos, e que descobrisse que simplesmente sorrio pelo fato de sua existência. Sempre desejei que acreditasse em mim sempre que digo o quanto te acho linda, em todos os aspectos, parâmetros e medidas, sem me importar com o que pensam ou dizem isso. Amaria ser dono do tempo, para escrever tudo o que você deveria saber, mas infelizmente não sou. Eu queria que você ainda me amasse, e que eu pudesse escrever textos onde ao menos uma vez, parei de desejar, e finalmente, amei, e fui amado.